Esse tal de mercado editorial alternativo...

Atualizado: 12 de Set de 2018

Quantas vezes você já escutou o termo mercado editorial alternativo?

Você sabe o que ele significa? Não? Mais ou menos? Sem problemas, vou explicar pra você de uma maneira bem resumida e simples:


Você certamente conhece o mercado editorial composto pelas editoras comerciais — Intrínseca, Cia das Letras, Aleph, Morro Branco, entre outras. São aquelas editoras que você vê aos montes pelas livrarias.


Essas editoras atuam de maneira tradicional. Ou seja, compram os direitos autorais das obras que vão publicar, financiam o processo de produção, de marketing e de distribuição e remuneram os escritores da casa por meio de porcentagem das vendas.


Vale ressaltar que, embora essas editoras sejam conhecidas como grandes, não é o tamanho que faz delas comerciais, e sim a maneira como atuam no mercado. A Aleph, por exemplo, é uma editora pequena, com equipe e catálogo enxutos, e é comercial.


As editoras comercias têm o leitor como cliente, ganham dinheiro vendendo livros. Logo, é evidente que elas se importam e investem na qualidade de seus produtos.


Por isso é tão difícil ser um escritor bem-sucedido. Uma vez que as editoras comerciais priorizam a qualidade, os critérios de avaliação são muito rigorosos, de modo que só as melhores histórias e textos são selecionados para publicação — entre outras variáveis que podemos discutir em outro momento.


Além da preocupação com o que vão publicar, há também um zelo muito grande com a forma como vão publicar.


Nas editoras comerciais, os livros são produzidos com os melhores materiais, os originais são submetidos a diversas etapas editoriais, realizadas por profissionais preparados e experientes.


Você conhece a qualidade dos livros disponíveis nas grandes livrarias, não é?


E se acha que o mercado editorial nacional acaba aí, está enganado. Afinal, os escritores que ainda não conseguiram um contrato com uma editora comercial continuam escrevendo, certo? Certo! Certíssimo!


Existem muitos — e bota muitos nisso! — escritores nessa situação. Diante dessa demanda de escritores desamparados, é claro que surgiram editoras para atendê-los.


Eis o mercado editorial alternativo! Uma alternativa aos escritores que ainda não conseguiram seu lugar ao sol — vai dizer que a nomenclatura não é boa?!


Nesse mercado, a dinâmica é bem diferente da descrita acima. Aqui, as editoras são prestadoras de serviços. O nome diz tudo: elas vendem serviços editoriais.


A relação entre escritor e editora é o oposto do que acontece nas editoras comerciais: não é a editora que aposta e financia o trabalho do escritor, mas o escritor que aposta e financia o trabalho da editora.


Em outras palavras, o escritor compra o serviço de produção e/ou publicação do seu livro.

Sendo assim, fica claro que, enquanto a editora comercial tem como cliente o

leitor, a editora prestadora de serviço tem como cliente o escritor — salvo exceções, há editoras prestadoras de serviços que já praticam a publicação tradicional em uma pequena parte de seu catálogo.


E é aí que entramos em um assunto delicado: uma vez que a editora prestadora de serviços não depende das vendas dos livros que produz para gerar receita, será que ela prioriza a qualidade?


Esse é um assunto para a próxima postagem! Enquanto ela não chega, vá refletindo sobre o assunto e formando sua opinião.


Até lá.


0 visualização

Bianca Gulim © 2018 Todos os direitos reservados